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Taurus terá primeira linha de produção de pistolas 100% automatizada no mundo
Publicado em: 22/10/2022
Ainda no primeiro semestre de 2023, a Taurus terá em funcionamento, em São Leopoldo, a primeira linha de produção 100% automatizada para a fabricação de pistolas. Será, de acordo com o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, a primeira operação deste tipo totalmente feita por robôs no mundo.
Parte destes equipamentos já chegou ao parque industrial da fabricante de armas, com um aporte, entre a compra de robôs e a montagem da linha de produção, de R$ 69 milhões. Faz parte do plano de investimentos de R$ 170 milhões da empresa no Rio Grande do Sul em 2022.
"Atualmente, são automatizadas somente parte da fabricação e montagem de armas, como por exemplo, o polimento do tambor para revólveres. A partir deste processo que foi desenhado por inteiro dentro da Taurus e contratado o projeto para que uma empresa execute a automatização da linha, teremos toda a célula do ferrolho das pistolas produzida por robôs", aponta o diretor.
Tendo fechado 2021 com a produção de 2,2 milhões de armas – sendo 1,59 milhão no Brasil –, entre 2018 e 2021, a Taurus praticamente dobrou sua produção. A intenção com os investimentos deste ano é ampliar a eficiência e a qualidade da produção brasileira, na unidade de São Leopoldo.
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Pistola microcompacta Taurus GX4 |
Investimento em pessoal e parcerias com universidades
Para isso, parte dos investimentos é direcionada à formação de pessoal, com ênfase para parcerias em desenvolvimento de tecnologias com a Unisinos, Ufrgs, UFSC e UCS. Na Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), por exemplo, a Taurus mantém o MBA em processos de manufatura próprios. "Não adiantaria investirmos tanto na modernização dos equipamentos sem desenvolvermos as pessoas que trabalham na fábrica e que vão operar este processo todo", justifica Nuhs.
Unidade de produção de DLC (material que dá ao aço a resistência do diamante)
Entre as novidades em modernização da produção – também incluídas no pacote de investimentos deste ano – está a atração para o parque industrial de São Leopoldo uma unidade de produção de DLC (diamond like carbon). Trata-se de um material que dá ao aço a resistência do diamante, aplicado sobretudo aos canos das armas. Atualmente, este processo só é feito na unidade da Taurus nos Estados Unidos.
"Hoje, parte da arma é enviada aos Estados Unidos, passa por este processo e retorna ao Brasil para a montagem. O que estamos possibilitando é a atração e instalação de um dos produtores de DLC para cá. Será um ganho em tecnologia e qualidade para a nossa produção, mas também a abertura de um mercado para este parceiro, que poderá atuar com esta tecnologia além da produção de armas", explica Salesio Nuhs.
Para isso, será preciso a fabricação de um forno específico para esta produção. Segundo Nuhs, ainda está em fase final de definição do parceiro, que poderá vir da Holanda ou dos Estados Unidos.
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Pistola Taurus TX22 com supressor |
Novas linhas de produção e novos equipamentos
Entre os R$ 181 milhões investidos pela Taurus no ano passado, esteve a compra de um terreno vizinho à fábrica de São Leopoldo. É lá que estarão instaladas as novas linhas de produção e as instalações de boa parte dos novos equipamentos que já chegaram à Taurus.
É que a maior fatia dos investimentos destes dois últimos anos – R$ 113 milhões em 2021 e R$ 70 milhões em 2022 – é reservada a novos maquinários para a sua produção. Recentemente, foram entregues 14 máquinas da Hyundai, de um total de 42 que ainda chegarão este ano. A maior parte delas destinada aos centros de usinagem da Taurus.
De acordo com Salésio Nuhs, depois de reverter um quadro de endividamento nos últimos anos, a Taurus experimenta agora o "seu momento de investir". Da produção brasileira, 85% é destinado à exportação. Algo que, independentemente do cenário eleitoral, Nuhs não acredita que terá grande alteração nos próximos anos.
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Novo Fuzil Taurus T10 nos calibres 7,62x51 e .308Win |
Produção de supressores (silenciadores) e novos calibres para exportação
Segundo ele, a maior parte das vendas no Brasil são destinadas a forças de segurança. E para atender a este segmento, a fabricante gaúcha deve ampliar nos próximos meses a produção de supressores (silenciadores). Com um investimento de R$ 10 milhões – parte dos R$ 170 milhões aportados neste ano –, a linha de produção foi concluída nos primeiros meses deste ano, mas a fabricação ainda se dava em menor escala. "Há cerca de 15 dias saiu a regulamentação do uso de supressores. Isso possibilitará ampliarmos a produção e garantirmos maior valor agregado ao nosso produto", explica Nuhs.
Será possível à Taurus agora entrar em licitações públicas para vendas de armas às forças policiais oferecendo as armas já com o silenciador.
Já para o mercado externo, os novos maquinários em instalação em São Leopoldo permitirão à Taurus ingressar no mercado de novos calibres, como o 7,62mm, em contratos para forças armadas no exterior.
Fonte: Indústria de Defesa-BR - WEB