Notícias

Aniam
13/05/2020

TAURUS (TASA4) ESTá PREPARADíSSIMA PARA O FUTURO, DIZ PRESIDENTE

Nos √ļltimos 24 meses, as a√ß√Ķes da fabricante de armas Taurus (TASA3; TASA4) vivenciaram verdadeiras montanhas russas. Se nos primeiros 9 meses de 2018 o t√≠tulo navegou pl√°cido por volta dos R$ 2,00, em outubro decolou para R$ 12,00, para fechar no Natal em R$ 3,00. Menos de 15 dias depois duplicaram de valor, para voltar antes do carnaval no novo normal de R$ 3,20, retomar para R$ 6,30 em janeiro de 2020 e desabar para R$ 2,60 em mar√ßo.

Definitivamente, quem investiu em papeis da Taurus n√£o sofreu de t√©dio nesses √ļltimos meses. Entretanto, muitas vezes a Bolsa de Valores √© tomada por euforias ou p√Ęnicos irracionais. E para desvendar esses sentimentos √© necess√°rio entender o que est√° acontecendo com a empresa. Como est√£o suas contas. Por onde a diretoria est√° levando a fabricante.

‚ÄúA Taurus est√° preparad√≠ssima para enfrentar a concorr√™ncia‚ÄĚ, salientou o presidente da fabricante de armas, Salesio Nuhs, em entrevista exclusiva ao SUNO Not√≠cias, resumindo a condi√ß√£o atual da empresa.

Segundo Nuhs, a Taurus está se reinventando para consolidar sua posição no Brasil e se tornar uma das maiores produtoras de armas do mundo. Confira alguns trechos da entrevista.

Pergunta: Como o Sr. definiria a condição atual da Taurus no momento?

Resposta: Estamos em uma fase de mudan√ßas estruturais, iniciadas em 2018. Quando os novos controladores compraram a empresa realizamos importantes avan√ßos. Por exemplo, t√≠nhamos tr√™s unidades fabris, centralizamos todas em um √ļnico pr√©dio. Criamos um processo robusto de produ√ß√£o que garantiu e garante para a empresa uma estabilidade de produ√ß√£o. Algo que at√© ent√£o a Taurus n√£o tinha, pois existiam problemas com fornecedores, j√° que a empresa tinha dificuldades financeiras.

Estruturamos a mudança em quatro diretrizes:
1. Estabilidade de entrega
2. Produtividade
3. Qualidade
4. Logística

Criamos um sistema de qualidade integrada, do fornecedor até o consumidor final. Isso tudo para garantir nosso ponto forte: o melhor custo benefício do mercado de armas em nível mundial. E já ganhamos reconhecimentos internacionalmente por isso.

Pergunta: E além da parte produtiva, como está sendo a estratégia comercial?

Resposta: Fizemos uma grande lição de casa. Ajustamos inteiramente a produção. Reformulamos todo nosso portfólio de produtos, não só os lançamentos novos, mas também realçamos produtos antigos que mantivemos em portfólio. Feito isso começamos a explorar mercados. E os EUA são o maior mercado de armas do mundo. Qualquer empresa de armas se não tiver 70% das vendas nos EUA não vai para frente.

Por isso, focamos no mercado americano, mudamos o CEO local, ajustamos a opera√ß√£o mudando a f√°brica da Fl√≥rida para a Ge√≥rgia. Um processo parecido com o que fizemos no Brasil, mas com uma participa√ß√£o muito grande do governo da Ge√≥rgia, que nos deu uma f√°brica perfeitamente funcionante. Um investimento de aproximadamente US$ 40 milh√Ķes (cerca de R$ 220 milh√Ķes). E agora nossa produ√ß√£o local √© de 400 mil armas, mas logo chegar√° a 800 mil por ano.

Al√©m disso, reformulamos a √°rea de marketing e comercial internacional para participar das maiores licita√ß√Ķes de armas do mundo. A maioria desse mercado √© na √°rea das licita√ß√Ķes p√ļblicas, e estamos muito presentes l√°. Ganhamos licita√ß√Ķes dia sim e dia n√£o.

Acabamos de ganhar um contrato muito grande com o Oman, de 10 mil armas, outro de 20 mil armas para as Filipinas, e para Bangladesh outro contrato importante para fornecimento de pistolas.

Pergunta: Sob o perfil da internacionalização, como procede a joint-venture com a indiana JindaI?

Resposta: O parceiro na √ćndia √© muito ambicioso. A Jindal √© um dos maiores produtores de a√ßos inoxid√°veis do mundo. Nosso objetivo era come√ßar a produ√ß√£o local a partir do segundo semestre, mas esse projeto foi adiado um pouco por causa das restri√ß√Ķes que o governo indiano imp√īs por causa do coronav√≠rus. Escolhemos um parceiro bastante forte para realmente aproveitar o que acharmos que vinha pela frente em termos de demanda.

Achamos que a √ćndia √© o mercado mais promissor do futuro para nosso setor. Por isso, antecipamos isso e conseguimos fazer essa joint-venture. Mas a √ćndia √© um projeto diferente dos EUA, onde temos a f√°brica h√° 39 anos. A √ćndia n√£o √© apenas uma planta, √© aporte de tecnologia. E o aporte financeiro da Taurus nessa joint-venture com a Jindal √© justamente a transfer√™ncia de tecnologia, dentro do projeto ‚ÄúMake in √ćndia‚ÄĚ. Uma iniciativa do governo indiano para que a √ćndia possa ter dom√≠nio tecnol√≥gico. Agora √© tend√™ncias os pa√≠ses demandem o controle da tecnologia militar.

Pergunta: Como está a operação no Brasil? O coronavírus está atrapalhando?

Resposta: Gra√ßas a Deus e gra√ßas √† natureza de nossa opera√ß√£o estamos produzindo em pleno regime. Isso gra√ßas ao fato que somos uma empresa estrat√©gica para o governo e n√£o sofremos nenhuma san√ß√£o. Investimos muito em bem estar e seguran√ßa de nossos funcion√°rios na base das diretrizes do Minist√©rio da Sa√ļde, da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS) e das secretarias estadual e municipal de sa√ļde. Estamos com 2.100 funcion√°rios aproximadamente e temos muito crit√©rio sobre a necessidade que, caso se manifeste qualquer sintoma da Covid, o funcion√°rio tem que ser imediatamente afastado. Mas tivemos um √ļnico caso: um funcion√°rio casado com uma profissional da sa√ļde que j√° voltou a trabalhar ap√≥s o afastamento.

Pergunta: Como est√° o mercado de armas no Brasil?

Resposta: O Brasil é um mercado muito pequeno se comparado com dos EUA. A Taurus vende no Brasil apenas 8-10% do total. Cerca de 70-80% vai para os EUA e o resto para outros países do mundo.

Agora, se até pouco tempo atrás estávamos vendendo apenas 2-3% de nossa linha no Brasil, agora vendemos toda nossa gama de produtos. Isso especialmente graças aos decretos do atual governo que liberalizaram a compra de armas, mas continua sendo algo muito complicado de se obter.

Entretanto, as vendas da Taurus j√° estavam dando sinais positivos mesmo antes das elei√ß√Ķes de 2018. Em 2005 em ocasi√£o do referendum a pergunta foi feita capciosamente para confundir os brasileiros. Conseguimos estruturar uma opera√ß√£o de esclarecimento para mostrar para a popula√ß√£o o que estava sendo de fato perguntando e o brasileiro votou a favor da legitima defesa, ou seja, contra a proibi√ß√£o.

Entretanto, por causa dos governos de esquerda, at√© 2016 o brasileiro ficou na d√ļvida. E essa quest√£o voltou √† tona na elei√ß√£o passada. A m√≠dia come√ßou a falar disso, e a popula√ß√£o descobriu que podia ter o direito a se defender, e foi comprando armas. O mercado come√ßou a se aquecer. E para a Taurus foi uma consagra√ß√£o. Agora o brasileiro pode comprar exatamente aquilo que o norte-americano pode. E tem j√° muita gente que comprou 20-30 armas pois gosta do setor.

Pergunta: E como ficou o mercado brasileiro após o decreto que tirou o monopólio da Taurus?

Resposta: Precisamos entender melhor essa quest√£o de monop√≥lio. Ainda hoje estamos sendo acusados disso. √Č uma vis√£o m√≠ope. Nos √©ramos a √ļnica empresa o Brasil exatamente pelas condi√ß√Ķes do Brasil. Um mercado extremamente controlado, com impostos elevad√≠ssimo, 70% de carga tribut√°ria, al√©m de uma burocracia imensa. Ent√£o na verdade no Brasil n√£o somos monop√≥lio, somos a √ļnica f√°brica que consegue operar com essas condi√ß√Ķes. Nenhum estrangeiro aguenta.

A fabricante italiana Beretta saiu do Brasil, existe uma f√°brica pequena em Florian√≥polis, mas ningu√©m consegue sobreviver no mercado brasileiro com essas condi√ß√Ķes regulat√≥rias e burocr√°ticas. Para vender uma arma eu demoro dois anos. Temos uma fila de produtos para serem homologados no Brasil que demorar√° 20 anos.

Ningu√©m tem coragem de vir para o Brasil. Por isso a Taurus √© uma empresa corajosa duas vezes: por estar no Brasil e por ter ido nos EUA. Estamos no maior e mais competitivo mercado do mundo. A abertura do mercado para n√≥s n√£o √© um problema. Estamos competindo dia sim e dia n√£o de licita√ß√Ķes e ganhando bastante.

Agora, a reflex√£o a fazer √©: ningu√©m vai vir produzir no Brasil. O que todo o mundo quer √© exportar para o Brasil. Pois exportar √© um grande neg√≥cio. Pois mesmo uma f√°brica estrangeira de fundo de quintal n√£o tem controle nenhum. Enquanto quem produz aqui √© vexado por impostos e burocracia. Por isso transferi para os EUA uma linha de produ√ß√£o de pistolas que vai servir uma licita√ß√£o grande que ganhamos nas Filipinas. E n√£o estou aumentando a linha de produ√ß√£o no Brasil, mas aumento nos EUA por causa dessas restri√ß√Ķes regulat√≥rias.

O mercado brasileiro vai ser tornar um balcão de vendas. Enquanto o mundo inteiro está preocupado em ter tecnologias na área militar, o Brasil parece não estar preocupado. Então, para concluir, essa abertura não vai prejudicar a Taurus, vai prejudicar ao Brasil. A Taurus está preparadíssima.

Pergunta: Uma das críticas a gestão da empresa é o endividamento, que chegou a 6,5 vezes a geração de caixa. As coisas mudaram?

Resposta: O balanço que será divulgado esse semestre mostra essa mudança já. Não posso falar tudo ainda pois ele ainda não foi auditado. Mas o que podemos dizer é que cumprimos todos os nossos compromissos, pagamos todos os juros mensalmente, estamos com as contas em dia.

Temos dois ativos que foram disponibilizados para a venda para pagar a dívida. Um terreno em Porto Alegre, antiga sede da companhia, e outra planta antiga. Mas imobiliário da região sul do Brasil está em forte crise, e decidimos esperar para vender.

Al√©m disso, racionalizamos as opera√ß√Ķes. As opera√ß√Ķes de defesas pessoal v√£o ser descontinuadas, e vendemos todas as participa√ß√Ķes em outras empresas que n√£o s√£o nosso core business. Isso deu margem de manobra cont√°bil.

Pergunta: Como est√£o os investimentos em pesquisa e desenvolvimento?

Resposta: Uma coisa que eu tenho feito na Taurus desde que assumi a presidência é investir na área de pesquisa, desenvolvimento e de novos produtos. Em uma empresa em crise tudo fica em segundo plano. Por isso, no passado os investimentos nesse setor basicamente morreram na Taurus. Tivemos que correr atrás do prejuízo.

Refor√ßamos muito nossa √°rea de engenharia, unificamos as engenharias nos EUA e no Brasil que trabalhavam de forma desconexa. Agora a engenharia dos EUA √© subordinada a engenharia no Brasil. Coordenamos as respostas para as solicita√ß√Ķes que vem do mercado e fazemos tudo que √© poss√≠vel para dar celeridade ao processo de desenvolvimento em nosso centro integrado no Brasil. Investimos muito no processo de capacita√ß√£o das pessoas.

Investimos em impressoras 3D, seja para plásticos que para outros tipos de materiais. Agora podemos fazer protótipos diretamente em casa, sem ter que usinar fora. E tudo isso vai dar uma agilidade muito grande. A Taurus está levando adiante um tripé extremamente importante, focando na pesquisa e desenvolvimento. Nosso mercado vive de novidade. E nos EUA sem novidades a empresa morre.

Isso tudo está até desenhado dentro da fábrica. Transformamos a Taurus em uma empresa que pensa no futuro e está focada em projeto e processo.

 

 


Veja tamb√©m as not√≠cias anteriores   Veja também as notícias anteriores

 

22/05/2020 - Alexandre Galgani segue rotina de treinos em casa
16/05/2020 - Taurus entrega armas para Guarda Municipal de Vitória (ES)
12/05/2020 - TAURUS AJUDA NO COMBATE AO CORONAV√ćRUS
11/05/2020 - STJ recarrega suas armas
13/05/2020 - Taurus (TASA4) está preparadíssima para o futuro, diz presidente
11/05/2020 - Seis cidades do interior de Sergipe receberão novos delegados da Polícia Civil. Os delegados substitutos receberam nesta segunda-feira, pistolas Taurus PT 940.
12/05/2020 - Taurus entrega doação de 14 toneladas de alimentos e produtos de limpeza para entidades sociais
08/05/2020 - Taurus transfere parte da produção de armas para os Estados Unidos
03/05/2020 - Doação de 5 mil protetores faciais
30/04/2020 - Taurus realiza campanha de arrecadação de alimentos e produtos de limpeza no combate ao coronavírus
02/05/2020 - Taurus realiza doação de protetores faciais para APAE de São Leopoldo
04/05/2020 - Decreto autoriza porte de arma para Guardas Municipais em S√£o Carlos
21/04/2020 - Guarda Civil Municipal de Suzano recebe 15 novas pistolas calibre 380
16/04/2020 - Defesa Civil do RS recebe doação de 10 mil máscaras de proteção facial
16/04/2020 - Taurus entrega 10 mil protetores faciais a Defesa Civil do Rio Grande do Sul
16/04/2020 - Governo recebe doação de 60 mil máscaras de proteção facial
23/04/2020 - Governo amplia limite de compra de munição para quem tem porte de arma
24/04/2020 - Taurus recebe novos centros de usinagem para projeto que desenvolverá revólver mais barato do mundo
23/04/2020 - PUCRS fecha parceria com Defesa Civil, Secretaria de Governança e Taurus
20/04/2020 - Protetores faciais s√£o destinados ao HCC, pela Defesa Civil do Estado
16/04/2020 - Review Pistola Taurus PT838
29/04/2020 - CBC traz ao Brasil as Espingardas Semiautom√°ticas MOSSBERG
28/04/2020 - Guardas Municipais passar√£o a usar m√°scaras em Novo Hamburgo
28/04/2020 - Taurus envia protetores faciais para profissionais de sa√ļde de Manaus
28/04/2020 - Fabricante de armas Taurus doa para Manaus 5 mil protetores faciais com urgência

 

 

Copyright © 2015 - Todos os direitos reservados.
Powered by .PACH.