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19/12/2012

A PAIXÃO DOS AMERICANOS PELAS ARMAS DE FOGO VEM DE LONGA DATA

WASHINGTON, (AFP)
Desde a conquista do Oeste, que proporcionou o direito à legítima defesa garantido pela Constituição, os americanos, ou ao menos uma parte deles, amam com paixão suas armas de fogo. Pelo menos esta é a impressão que passa diante da resistência que a população sente ante a simples menção de um projeto de proibição de posse de fuzis de assalto e outras armas semiautomáticas, como o defendido pelo presidente Barack Obama depois do massacre ocorrido na escola primária de Connecticut. ''Seria fornecer uma representação falsa dos Estados Unidos dizer que amamos apaixonadamente as armas ou que todos os americanos as possuem'', explica à AFP Gregg Lee Carter, professor de Sociologia da Universidade Ryan (Rhode Island, nordeste), ao mesmo tempo em que lembra que a maioria dos cidadãos não possui estes instrumentos. De fato, segundo as estatísticas, os lares americanos nos quais há uma arma são uma minoria, embora representem 40%. No entanto, o país é campeão mundial no número de armas em posse, com 270 milhões, assim como pela quantidade de armas por cidadão, 88,8 por 100 habitantes, segundo indica o Gunpolicy.org. Em 2009, mais de 9.000 pessoas faleceram baleadas dos 15.000 homicídios registrados. ''Não paramos de falar das armas nas músicas, nos programas de televisão, no cinema. E também nos videogames. As armas estão por todos os lados'', constata Jimmy Taylor, professor de Sociologia na Universidade de Ohio (norte). ''Também é preciso contar com a Segunda Emenda da Constituição que protege o direito de possuir armas'', ressalta Jeffrey Reiman, professor de Filosofia da American University de Washington, ''e que cada vez é interpretada de forma mais ampla, com o direito de portar armas no topo''. Além de uma forte tradição de caça, a ''cultura das armas procede de uma espécie de apego histórico'', acrescenta Robert Spitzer, autor de um livro sobre a regulamentação das armas de fogo. ''É a história de como os Estados Unidos venceram a Grã-Bretanha'' durante a Guerra de Independência, ''a história de homens normais que tomaram seus fuzis, beijaram suas mulheres e partiram para servir ao exército de George Washington''. Ter uma arma é defender a própria liberdade ''Há americanos que continuam vivendo nesta tradição e para os quais ter uma arma é defender sua liberdade. Em geral, são pessoas que desconfiam do governo, ou que são hostis a ele; este aspecto também forma parte de um individualismo muito arraigado nos Estados Unidos'', acrescenta Spitzer. Para Jenny Carlson, professora de Sociologia da universidade de Berkeley, na Califórnia, esta cultura das armas ''responde igualmente aos problemas criminais contemporâneos e aos cortes dos serviços públicos, como os da polícia'', explica, além da força do lobby das armas da NRA (Associação Nacional do Rifle, em inglês). ''As armas ajudam os americanos a se sentirem mais protegidos e, deste ponto de vista, proibir as armas provocaria a queda de sua última linha de defesa contra o crime'', acrescentou a acadêmica. De fato, nas ruas de Newtown (Connecticut, nordeste), ainda envolvida em angústia após o massacre na escola primária Sandy Hook na última sexta-feira, André, de 72 anos, fervoroso partidário das armas, reafirmava recentemente ''o direito dado por Deus para me defender''. ''Se uma pessoa bem preparada estivesse na escola, teria podido acabar com o atirador muito antes que ele assassinasse'' as 20 crianças e os seis adultos, afirmou. Para Steven Clarke, que possui um centro de tiro em Warrenton (Virgínia, leste), ''é um louco que fez tudo isto, não tem nada a ver com as armas de fogo''. ''Os proprietários de armas têm medo. Os direitos daqueles que não fizeram nada de mau com suas armas podem ser colocados em questão pela ação de um homem perturbado mentalmente'', disse. Na terça-feira, um aluno da sexta série que chegou a sua escola em Kearns (Utah, oeste) portando uma arma de fogo, se justificou perante os policiais dizendo que queria se proteger no caso de sofrer um ataque similar ao de Newtown, indicou um porta-voz do centro educacional à AFP.

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